É inegável a necessidade de integrar diferentes linguagens nas aulas em todos os níveis de ensino. Nesse contexto, filmes são recursos que mais facilmente são incorporados à rotina escolar. No entanto, faz-se necessária a reflexão: que estamos fazendo com eles?

O cinema e a TV são dotados de linguagem própria e compreendê-los vai além da simples apreciação de imagens e sons, assim como ler é mais do que decodificar palavras.

Desse ponto de vista, não basta levar os alunos ao cinema como um passeio, ou apresentar um vídeo para substituir a fala do professor sobre um determinado assunto. É preciso propor a leitura reflexiva desses meios, em um determinado contexto, com sua linguagem peculiar, sua manifestação cultural, bem como possibilitar o espaço da criação usando essa linguagem, extrapolando o papel passivo da recepção da imagem e do som. Soma-se a isso a possibilidade de criar o diálogo entre as diferentes mídias, comparando-se características e informações obtidas em cada uma delas. É preciso educar para se viver a ( e na) Sociedade da Informação, com toda a sua gama de produção cultural.

Somente a prática reflexiva traz novas perspectivas aos processos educativos. Nós educadores precisamos constantemente buscar referenciais, discutir práticas, propor novas reflexões. Espaços de interação voltados aos educadores são caminhos importantes nessa busca reflexiva. Com essa intenção, vale destacar a iniciativa do site Porta Curtas. O site cataloga três mil títulos de curtas metragens brasileiros, contando com mais de 350 filmes disponíveis para apreciação, promovendo, assim, acesso e difusão da produção cultural nacional por meio da Internet

Considerando que o trabalho em sala de aula requer reflexão constante sobre a prática, reflexão essa que se amplia por meio da socialização de opiniões e da interação, criou-se, na página de cada filme, o espaço Curta na escola. Lá se encontra uma indicação de aplicabilidade pedagógica, apontando-se faixa etária, nível de ensino e disciplinas ou temas transversais; publicação de Pareceres de uso Pedagógico e comentários de educadores sobre os filmes, possibilitando um fórum permanente.

Propostas de trabalho como a apresentada pela educadora Grace Luciana Pereira**, para o filme Kinocopa, podem ser lidas, comentadas e ampliadas por outros educadores no site. Para comentar qualquer filme, receber informativos e participar dessa rede reflexiva sobre o uso dos filmes em sala de aula, basta que se faça um cadastro no site como professor

É importante que possamos cada vez mais explorar espaços de troca e reflexão para incorporarmos múltiplas linguagens em nossa prática… Que possamos abrir as portas de nossas salas de aula às mídias, com muita propriedade.

Conheça na próxima página uma sugestão de Grace Luciana para o trabalho com o vídeo Kinocopa, uma proposta bem interessante e atual para discussão sobre a copa do mundo. Veja também pareceres de outros educadores que estão contribuindo com o projeto curtas na escola.

A comoção toma contas dos brasileiros que se unem na esperança de vencer, momentaneamente esquecem-se dos índices de analfabetismo, fome, e desemprego do país. Eis a Copa do Mundo, uma alegria que a cada 4 anos toma conta da maioria dos brasileiros.

O curta utiliza os bastidores da Copa de 2002 para levantar uma série de questionamentos que nos fazem ter um outro olhar para a Copa do Mundo. O personagem começa entrevistando pessoas nas quais nem pensamos durante a euforia da Copa, moradores de abrigo e de rua, os excluídos sociais, para os quais ser penta, hexacampeão não faz muita diferença.

“O Futebol, ópio do povo” de acordo com o depoimento de um dos entrevistados. O que significa isso? O povo fica inebriado pela possibilidade de vencer e esquece de sua realidade por um tempo? E porque esse sentimento ufanista não aparece nas eleições?

Não há respostas únicas para estas questões, são respostas multifacetadas que apresentam uma série de dimensões, mas se não pensarmos sobre elas, talvez a relação entre futebol e política fiquem sempre desconexas para a maioria de nossos alunos.

Fonte: Resumo.com.br

Filmes na Escola

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