Aulas animadas: mais movimento ao que acontece dentro da escola
A palavra ânimo, do latim “anima”, está ligada a alma e significa “sopro de vida”. A animação é um dos sinais que nos dá a sensação de vida nos seres vivos e até mesmo em imagens (desenhos animados).
Nesse sentido, as aulas “paradas” em que o professor tenta “ensinar” e os alunos fazem de conta que “prestam atenção”, além de contribuírem com o desânimo dos alunos, ainda permitem que o professor acredite, por alguns momentos, que conseguiu cumprir o seu objetivo. Uma proposta de aula animada é exatamente o oposto:
• Os alunos são envolvidos em um desafio que não é exclusivamente escolar, mas sim algo que eles vêem acontecer fora da escola.
• O protagonista é o próprio aluno. Ele é autor e ator.
• A tarefa não é para entregar ao professor, mas sim para ser reconhecida tanto na escola quanto fora dela.
• O aluno é membro importante dentro de um grupo. Assume papéis fundamentais e dessa forma é responsável.
• Há movimento na sala de aula. Algo que é possível observar tanto pela liberdade que os alunos têm em circular nos diferentes espaços, como também em sua expressão corporal e facial.
• O professor não fica preocupado em ensinar, mas em mediar o processo para que os alunos aprendam.
Como desenvolver uma proposta com estas características? O que pode ser feito de modo que o aluno perceba significado, aprenda, colabore, sinta-se desafiado e envolvido?
Há várias possibilidades, principalmente quando aproveitamos o potencial que as TICs (tecnologias de comunicação e informação) podem trazer à prática pedagógica.
Os alunos gostam e envolvem-se em tarefas quando podem produzir e socializar algo que é reconhecido socialmente. Por isso podem aprender muito quando têm a oportunidade de criar um blog, um programa de rádio (ou Podcast), um jornal da escola ou um vídeo. Isso porque todas estas mídias podem ser socializadas dentro e fora da escola e o aluno ser reconhecido pela sua atuação, o que é de fundamental importância.
Para o Congresso Saber 2006, optamos por trabalhar com educadores a produção de vídeos. Esta oficina vivencial, intitulada Aulas animadas: produção colaborativa de vídeos na educação, terá como ponto de partida a criação de um produto a partir dos diversos recursos que serão disponibilizados (massinha, peças de lego, bonecos e outros materiais) para a elaboração, produção e apresentação de uma propaganda em vídeo do produto criado.
Esta proposta tem como principal intenção promover a aprendizagem baseada na resolução de problemas (KASTRUP, 2002), propiciando o trabalho em grupo e a aprendizagem colaborativa por meio das seguintes estratégias:
• Envolvimento do grupo em um desafio colaborativo em que todos terão uma tarefa para que possam contribuir.
• Uso do espaço da Sala Inteligente que possibilita integrar diferentes recursos e mídias em um mesmo local.
• Proposta pedagógica baseada em algo que é produzido socialmente fora da escola: elaboração, construção, edição e socialização de um vídeo utilizando o software Windows Movie Maker.
• Uso de material de apoio e consulta com animações que possibilitam maior autonomia para uso dos recursos tecnológicos disponíveis. Desta forma, o trabalho do mediador da oficina será apenas de orientação, 1991acompanhamento e incentivo a participação, sem precisar “ensinar” passo-a-passo cada etapa das atividades.
Nosso objetivo é vivenciar e refletir a respeito do trabalho com diferentes habilidades e linguagens de modo ativo/participativo.
Ao dividir com o grupo a tarefa de produzir um vídeo, os participantes compartilharão responsabilidades diferenciadas, terão que lidar com desafios que envolvem a relação com o outro e sua diversidade e até mesmo a resolução de problemas próprios da tarefa.
O trabalho com múltiplas inteligências (GARDNER, 1995), é contemplado em diferentes momentos: para elaborar o roteiro é necessário inteligência lingüística, para se relacionar com o grupo durante todo o processo haverá envolvimento das inteligências intra e interpessoal, o trabalho de atuação no vídeo exigirá inteligência corporal, na criação do StoryBoard também deverá ser pensado nos sons que este vídeo terá e portanto a inteligência musical será fundamental, para pensar o cenário de produção é necessária a inteligência espacial. Ao trabalharem em grupos, os alunos aprenderão também uns com os outros, podendo partir das habilidades que já possuem e ao mesmo tempo despertarem o interesse por outras áreas.
Com certeza maiores aspectos de cada uma destas inteligências serão utilizados no processo e este deverá propiciar uma reflexão aos participantes sobre o próprio desenvolvimento e aprendizagem.
Outro fator importante é que em projetos como estes todos os alunos podem participar, independente de faixa etária, nível de conhecimento tecnológico ou até mesmo intelectual. É possível formar grupos contemplando a diversidade que há na escola e em nosso dia-dia, reunindo interesses e idéias de alunos surdos, cegos ou com qualquer outro tipo de limitação. Cada um pode contribuir, sentir-se importante e valorizado no projeto desenvolvido.
O diferencial é o quanto a proposta foge do que comumente é apresentado na escola. Este novo contexto permite até que os alunos esqueçam que são “alunos”, daqueles que precisam fazer atividades “para-entregar-ao-professor”, pois podem atuar como inventores, cineastas, produtores, roteiristas, atores, dentre outros. O fato de assumir um novo papel ou personagem também traz um certo encantamento que permite maior envolvimento na atividade.
Em suma, acreditamos que uma proposta capaz de contemplar o uso inteligente dos recursos disponíveis na escola, a diversidade de interesses e conhecimentos nas mais diversas áreas, o uso de mídias presentes em nosso cotidiano, a aprendizagem colaborativa e a perspectiva de ser agente do próprio processo de aprendizagem é o que precisamos para tornar nossas aulas e alunos mais animados.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FRANCO, Marília S. A natureza pedagógica das linguagens audiovisuais in Coletânea Lições com cinema. São Paulo, FDE, 1993.
GARDNER, Howard. Inteligências Múltiplas: a Teoria na Prática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
KASTRUP, V. Aprendizagem, arte e invenção. Em Daniel Lins (Org). Nietzsche e Deleuze: intensidade e paixão. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 2002
Martins, Mary Grace. Criando Histórias Digitais. Disponível em http://www.vivenciapedagogica.com.br . Acesso em 10/05/2006
MORAN, José Manuel, MASETTO, Marcos e BEHRENS, Marilda. Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica. 7ª ed., Campinas: Papirus, 2003
PENTEADO, Heloisa Dupas. Televisão e escola: conflito ou cooperação?. São Paulo: Cortez, 1991
Artigo publicado originalmente na revista Direcional Escolas, de agosto de 2006, p. 16-17.
O original também está disponível para download, no formato pdf.
Não é permitida a divulgação, sem informações sobre a fonte



Desenho em movimento
Olá;
gostaria de receber instruçoes como criar ou copiar um trabalho de animação consultado em 26 de setembro de 2006, pelo nome RO.
No momento trabalho com a coordenação de professores especialistas em educação especial, e este trabalho ou estudo é de suma valia.
Aguardo. Abraço Ingrid
CURRÍCULO ADAPTADO
GOSTARIA DE SABER SE EXISTE REALMENTE UMA FORMA DIFERENTE DE ENSINAR ALUNOS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL, E QUE DÊ RESULTADOS. SOCORRO, ESTOU TRABALHANDO COM ESSES ALUNOS E NÃO SEI O QUE FAZER.
uso do google maps como ferramenta pedagogica
Por favor, tenho que apresentar um trabalho e terei que usar o google maps. No entanto, nunca trabalhei com esta ferramenta. Alguem poderia me dar uma dica como desenvolvê-la.
Grata.
Jussara Martins
desenho em movimento
olá...preciso fazer uma asa de abelha batendo....pois ela esta voando. A abelha ja esta pronta mas não sei como fazer a asa dela em movimento.Obrigado
Ânimo para todo o sempre
Faço a seguinte colocação: para tudo nesta vida fazemos escolhas e opções, se a nossa opção foi a de sermos EDUCADORES, seja ela por quais motivos, precisamos estar dispostos a mudanças e sempre nos atualizarmos quanto a postura no âmbito cultural dessas novas pessoas que estaremos "cuidando" para que se formem cidadãos críticos, sensíveis atuantes dentro de uma sociedade que coibra muito as capacidades desde a mais simples quanto as complexas. Precisamos pensar que somos os mediadores desse processo, para que os alunos possam aprendam.
curso oferecidos
Olá gostaria, por gentileza de informação à respeito do curso de Libras se vocês disponibilizam ,( se sim , qdo?) e se houverem cursos e seminários ' de verão" no período de férias quais são e seus respectivos valores.
Desde já muito obrigada pela atenção
Aguardo retorno, por gentileza.
desenho em movimento
recebi um email,já fazen muitos anos, com um bebê crescendo dentro do útero...e outro com um bebê engatinhando,depois andando,etc...como fazer isto...pode me ensinar...desde que não seja pago...obrigada.
Aulas animadas
È claro a necessidade de produção onde o professor é mediador ou ainda facilitador da aprendizagem porem penso que seja viavel lembrar que a organização do tempo sao fatore chaves para que se possa sempre gerir aulas animadas.
Professores
Eu tenho sempre dito o que está neste artigo para os professores da Escola Ana Facó, onde assumo o cargo de Coordenador Pedagógico. Mas não sinto nenhuma mudança na postura do professor. Sempre eles justificam a ausência da apredizagem colocando a culpa no aluno. Que nada o faz sentir-se interessado. Como devo proceder? Pois tenho até receio de levar um artigo desses para leitura entre os professores. Eles sempre pensam que se está cobrando cada vez mais deles.
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