Contos da escola
A vez da Educação a Distância em SP
O Conselho Estadual de Educação (CEE) liberou 20% das aulas via Educação A Distância (EAD). Espera-se que as escolas que se proponham a utilizar a modalidade sofram fiscalização, para saber se estão simplesmente instalando uma ferramenta inútil - porém, mais barata do que manter os alunos em sala de aula - ou se estão se modernizando de fato.
Se sua escola estiver prestes a adotar a modalidade, leia umas dicas básicas de sobrevivência em um mundo virtual cheio de concorrentes infinitamente mais interessantes e atraentes que os softwares de EAD.
Seu planejamentoPara pensar o e-learning de sua matéria, aí vão algumas reflexões:
- Qual o objetivo de estender meu curso pela internet?
- Meus alunos têm acesso fácil a internet?
- Quais atividades de meu curso poderiam ser realizadas pela internet?
- Consigo integrar as aulas presenciais com as atividades on-line?
- Quais serão as métricas para mensurar o sucesso de meu curso on-line?
- Há ferramentas conhecidas que são parecidas com o que eu estou imaginando?
- Terei tempo de monitorar e participar do curso on-line?
Criando e adaptando um software para a realidade de sua escola
Nenhuma ferramenta de e-learning do tipo instale-e-use pode fazer milagre. Abaixo algumas dicas para que você adapte qualquer solução open source, proprietária ou crie uma ferramenta do zero, mas que funcione para sua realidade:
- O mercado online já tem muitos especialistas, pessoas dedicadas ao ofício de pensar soluções. Delegue a essas pessoas a responsabilidade de fazer seu software atingir os objetivos, afinal ninguém precisa saber tudo nessa vida.
- Contrate uma empresa especializada que possa produzir ou adaptar uma boa ferramenta para sua instituição de ensino, de acordo com a sua necessidade.
- Relembrando: talvez seu aluno use celular, use iPod, iPhone, Smartphones, Windows Vista etc. Não será fácil fazer uma ferramenta que proporcione uma experiência educativa inovadora. Daí a importância dos especialistas, ninguém quer um software que pareça do tempo das cavernas.
- Tenha o maior número de professores possível reunido na hora de fazer o briefing das necessidades da ferramenta. Às vezes o professor de história precisa de uma feature que o de matemática não precisa.
- Não desanime se em 5 reuniões vocês ainda não tiverem quase nada decidido.
- Cada professor deve levantar aspectos de seu curso que podem funcionar bem on-line.
- Conte com a ajuda de designers instrucionais para ter uma boa adaptação do conteúdo para a internet.
- Inspire-se web afora, não se limite a benchmarking de ferramentas de e-learning de mercado. Copie boas idéias presentes em sites sociais, como Orkut, Ning, Facebook.
- A empresa contratada para desenvolver a ferramenta deve justificar as escolhas e trazer números que comprovem a eficácia dessas escolhas. Ninguém compra absolutamente nada sem ver números, e não é sua escola que vai colocar o dinheiro naquilo que não funciona.
- Prefira desenvolvimento em linguagens bem disseminadas no mercado, como ASP.NET, PHP, MySQL, SQL. Ou você ficará refém da empresa se ela desenvolver a solução em um banco de dados cabuloso e desconhecido.
- Capacite os professores interessados em utilizar a ferramenta.
- Repito: sempre conte com a ajuda de designers instrucionais para ter uma boa adaptação do conteúdo do curso para a internet.
- Respeite os professores mais resistentes ao uso de plataformas on-line. Se a pessoa até agora não demonstrou interesse, não é você quem vai conseguir despertar seu gosto por máquinas.
- Contrate funcionários especialistas em internet para serem “donos” da ferramenta dentro de sua instituição de ensino. É bom saber fazer para saber exigir dos fornecedores.
- Os “donos” da ferramenta devem ser exclusivamente “donos” da ferramenta e não professores que vão gerir o projeto em seu tempo vago. Cachorro com muitos donos morre de fome. Esse é um erro MUITO comum.
- Monitore o desempenho e esteja pronto para fazer mudanças profundas na estrutura da ferramenta.
- Nenhum site fica estagnado, sem alterações, não espere que o seu seja o primeiro a conseguir essa façanha.
Para saber mais:
Heurísticas para o projeto de interfaces de treinamentos corporativos à distância, em Revista de Design de Interação – v. 01 n. 01 – 2008
Usabilidade e a padronização do e-learning, por André de Abreu
FASP fecha as portas e jornalista recebe avalanche de críticas por não apurar os fatos
“E importantes decisões coletivas podem ser tomadas com base na desinformação”. É o que pensa Luciano Martins Costa, jornalista do Observatório da Imprensa, programa da Cultura FM, rádio que ouço todos os dias a caminho do trabalho. Essa frase refere-se ao papel importantíssimo que a internet teve nas eleições presidenciais de 2008 dos Estados Unidos. Veja o trecho:
“Com a consolidação da internet como o grande meio de comunicação do nosso tempo, a divulgação de boatos e a manipulação de informações sai do controle da chamada grande imprensa.
E importantes decisões coletivas podem ser tomadas com base na desinformação.” (Leia o original aqui)
É impressionante como os jornalistas ainda não se conformaram em perder seu poderio centralizador para a internet - ou para as pessoas comuns.
Recomendo ao jornalista a leitura do livro Inteligência Coletiva, de Pierre Lévy, antropólogo francês. Assim, Martins entenderá que a imprensa da forma que conhecemos, como mídia de massas, que centraliza e elege as informações que devem ser divulgadas, agora deve dividir espaço com o conhecimento de um público muito melhor informado. A imprensa está aos poucos perdendo sua influência e conquista esse desprestígio sozinha!
Vou aproveitar um exemplo bem interessante, que aconteceu com o jornal O Estado de São Paulo.
A jornalista Renata Cafardo veiculou sem apurar os fatos, que a As Faculdades Associadas de São Paulo (Fasp) fechariam suas portas por conta da crise no ensino superior e de concorrência predatória. Quem prestou essa declaração foi o próprio mantenedor da instituição, o empresário Nivaldo Rubens Trama. Muito bonzinho, o senhor Trama mereceu um espaço no jornal para contar seu drama e anunciar aos professores e alunos o encerramento das atividades de sua instituição.
A verdade é que um belo dia, professores e alunos chegaram para ter aula e as portas da faculdade estavam cerradas. Sem explicação alguma. Ficaram sabendo pela matéria do jornal que daquele dia em diante, era hora de se virar na vida e encontrar uma outra faculdade pra estudar.
O drama dos 420 alunos que ainda não conseguiriam enquadrar seu currículo em outras faculdades não apareceu na matéria do jornal. Mas, graças a internet, a verdade apareceu no blog da jornalista. Revoltados, os alunos e professores fizeram 38 comentários criticando a postura da jornalista de não apurar os fatos e divulgar somente a declaração do empresário. Alunos e professores enfatizaram que o que derrubou a faculdade foi a má gestão de Trama. Em quem será que eu acredito, hein, jornalistas?
É por essas e outras que eu prefiro ficar com a “desinformação” da internet…
Ensinar ou aprender via Skype ficou mais fácil
O lema de Skype Prime, um dos serviços oferecidos pelo Skype (software gratuito de VoIP), é: ganhe dinheiro com o Skype Prime, compartilhando ou aprendendo online. É no nicho de serviços e ensino a distância que a empresa de telefonia online de Luxemburgo está apostando.
Quero aprenderCom o crescente número de pessoas interessadas em aprender sem sair de casa, ou aprender com ótimos profissionais, mas que estão a muitos quilômetros de distância no globo terrestre, o Skype Prime apresenta uma solução completa. Por exemplo: você quer aprender inglês com um nativo, para aprimorar seus conhecimentos em expressões idiomáticas ou lapidar o sotaque. Basta baixar o Skype, escolher o seu professor no diretório e fazer a aula diretamente de seu computador.
A ferramenta oferece suporte completo para o negócio funcionar. Você paga diretamente para o Skype (via cartão de crédito ou PayPal) que transfere o dinheiro para o prestador do serviço. E para garantir a confiabilidade do serviço, você deixa seu comentário sobre o professor no diretório Prime.
Quero ensinarSe você é o professor, prestar seu serviço com auxílio da internet é tão fácil quanto contratar. Basta configurar uma conta no PayPal, baixar o Skype, criar seu serviço em Skype Prime e configurar a tarifa que você quer cobrar por um determinado tempo de serviço.
Além da voz, você pode usar o recurso de vídeo para dar sua aula a distância. Ideal para matérias como literatura, história, aulas de línguas e todas as outras que você poderia realizar via videoconferência.
O site do Skype oferece as instruções completas para você prestar seu serviço a distância e o site do PayPal fala direitinho como receber o dinheiro que você ganhou diretamente em sua conta bancária.
Há um porém nessa brincadeira: o serviço está disponível somente para usuários de Windows por enquanto.
Mais uma dica: o blog da equipe do Skype Prime ensina como você pode melhorar seus resultados como prestador de serviço. O blog também fala de questões importantes, como privacidade, divulgação etc. Vale a visita.


